Um homem de 38 anos, identificado como Bruno Erick Stracagnolo, morreu durante um confronto armado com policiais militares da Companhia de Choque do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM), na manhã desta quinta-feira (20), em Londrina, no Norte do Paraná.
A ocorrência foi registrada na região da Gleba Palhano, na zona sul da cidade, durante uma tentativa de abordagem. Segundo a Polícia Militar, Bruno era apontado como suspeito de envolvimento em diversos furtos de estepes de caminhonetes, principalmente em locais com grande concentração de veículos, como faculdades, condomínios e shopping centers.
De acordo com a PM, equipes de inteligência do 5º BPM e do 30º BPM identificaram a participação de um Nissan Versa preto em ocorrências de furtos de estepes registradas em Londrina. Durante o patrulhamento, uma equipe de inteligência teria visualizado um veículo com as mesmas características, com placas GIT8E53, parado atrás de uma Nissan Frontier preta, na Avenida Luiz Lerco, nas proximidades da Faculdade Unopar.
Ainda conforme o relato policial, o condutor desembarcou do Versa, deitou-se sob a caminhonete e retirou o estepe do veículo. Diante da situação de flagrante, equipes ostensivas da Companhia de Choque foram acionadas para realizar a abordagem.
A tentativa de abordagem ocorreu na Rua Francisco Salton. Segundo a PM, os policiais emitiram sinais sonoros e luminosos para que o condutor parasse, mas o homem teria apontado uma arma de fogo contra a equipe e jogado o veículo intencionalmente contra a viatura.
Com o impacto, a viatura policial foi projetada contra um ônibus que estava estacionado na via. O veículo policial sofreu danos na parte frontal lateral direita e também em toda a extensão da lateral esquerda.
A Polícia Militar informou que, ao visualizar a arma apontada na direção da equipe, dois policiais posicionados no lado direito da viatura efetuaram disparos para interromper o que classificaram como uma agressão atual e iminente.
Após a colisão, o Nissan Versa teria fugido em alta velocidade pela Rua João Rogério Ribeiro Bonesi. Durante a fuga, o veículo atingiu barreiras físicas e acessou o saguão de entrada da Universidade Positivo, onde, segundo a PM, havia diversos estudantes.
Ainda de acordo com a corporação, quando o veículo parou, Bruno abriu a porta repentinamente e iniciou o desembarque. Os policiais afirmaram ter visualizado novamente uma arma de fogo nas mãos do homem e efetuaram novos disparos.
Bruno foi atingido e caiu ao solo. Como ainda apresentava sinais vitais, uma equipe de atendimento médico foi acionada. A arma de fogo localizada na ocorrência foi retirada do local e acondicionada no interior da viatura, segundo a PM, para preservar a segurança dos policiais e das pessoas que estavam nas proximidades.
Com a chegada do Siate, o óbito de Bruno foi constatado.
As autoridades competentes foram acionadas para os procedimentos de praxe e investigação das circunstâncias do confronto.
HISTÓRICO CRIMINAL
Segundo informações repassadas pela Polícia Militar, Bruno possuía um extenso histórico de ocorrências policiais e condenações relacionadas principalmente a crimes patrimoniais.
Em maio de 2015, ele foi preso em flagrante em Londrina durante uma ocorrência envolvendo roubos, porte de arma e receptação. Na ocasião, conforme os registros apresentados pela PM, Bruno estava em um Volkswagen Gol acompanhado de outro homem que portava um revólver calibre .38. Durante a ocorrência, houve tentativa de fuga e resistência à abordagem. Na residência de Bruno, foram encontrados pertences relacionados ao roubo de um Fiat Palio.
Em agosto daquele ano, ele também teria se envolvido em uma ocorrência de lesão corporal grave em Cambé.
Entre 2016 e 2019, Bruno voltou a ser alvo de medidas judiciais. Em julho de 2016, foi localizado na Gleba Palhano durante uma abordagem e teve cumprido contra si um mandado de prisão preventiva. Posteriormente, passou a cumprir medidas cautelares com monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Em janeiro de 2018, foi condenado em primeira instância a 9 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão, em regime fechado, por crimes relacionados aos fatos de 2015. Em fevereiro de 2019, o Tribunal de Justiça do Paraná reduziu a pena definitiva para 8 anos e 4 meses de reclusão.
Em outubro de 2018, Bruno voltou a ser abordado durante uma investigação relacionada a furtos de estepes. Segundo os registros apresentados pela PM, ele conduzia um Volkswagen Gol que estaria sendo monitorado por suspeita de utilização nesse tipo de crime.
Nos anos seguintes, o histórico policial apontado pela corporação continuou envolvendo crimes patrimoniais. Em outubro de 2020, foi preso preventivamente em Londrina por determinação da Justiça de Arapongas, em investigação relacionada a furtos qualificados.
Em março de 2022, foi novamente preso em flagrante, desta vez por furto qualificado e adulteração de sinal identificador de veículo. Conforme a PM, ele conduzia uma motocicleta sem placas, equipada com ferramentas, e teria confessado o furto de um estepe. Na ocasião, também teria sido apreendido um equipamento conhecido como “Chapolim”, utilizado para interferência em sinais de radiofrequência.
Entre 2022 e 2024, novas decisões judiciais alteraram a situação de cumprimento de pena. Em setembro de 2024, Bruno progrediu para o regime aberto, ficando sujeito a condições determinadas pela Justiça, entre elas o comparecimento periódico em juízo.
Segundo a Polícia Militar, a pena total unificada relacionada às condenações ultrapassava 12 anos e 9 meses.
A morte de Bruno ocorreu durante uma ação policial que, segundo a PM, teve início após a identificação de um suspeito em flagrante por furto de estepe e terminou após dois momentos de confronto armado.