O Ministério Público do Paraná, por meio do Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com equipes do 5º Batalhão da Polícia Militar, deflagrou nesta quinta-feira uma operação voltada ao combate de um esquema utilizado por integrantes da alta cúpula de uma facção criminosa para manter contato com o lado de fora dos presídios federais.
Durante a ação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de busca pessoal contra duas mulheres investigadas por atuarem como intermediárias na transmissão de mensagens e ordens de líderes da organização criminosa que estão custodiados no Sistema Penitenciário Federal.
De acordo com as investigações, após a transferência dos principais chefes da facção para unidades de segurança máxima, o grupo passou a utilizar as visitas presenciais como principal mecanismo para repassar determinações aos integrantes em liberdade. O método, conhecido no meio criminoso como "bate-bola", consiste na comunicação verbal direta entre visitantes e presos, permitindo que orientações sejam levadas para fora das penitenciárias.
As apurações apontam que as investigadas, residentes em Londrina, desempenhavam papel estratégico na estrutura da organização, sendo responsáveis por receber as mensagens dos detentos e redistribuí-las para outros membros da facção, além de coordenar demandas de interesse do grupo criminoso.
O trabalho investigativo também revelou um suposto esquema de casamento fraudulento criado para ampliar a rede de comunicação da organização. Conforme o Gaeco, uma das investigadas, que já possuía autorização para visitas por ser esposa de um preso do sistema federal, teria articulado o casamento entre a segunda suspeita e outro líder da facção atualmente recolhido na Penitenciária Federal de Brasília.
O matrimônio foi oficialmente registrado em março de 2026, incluindo a alteração do nome civil da mulher. No entanto, informações obtidas junto ao sistema prisional indicam que ela nunca realizou visitas ao suposto marido, evidenciando a inexistência de vínculo afetivo e reforçando a suspeita de que o casamento tinha como único objetivo atender às exigências legais para obtenção do direito de visita.
As investigações ainda apontam que as duas mulheres residem no mesmo imóvel, localizado na região central de Londrina, e mantêm estreita ligação com familiares de outros integrantes considerados de alta periculosidade.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Juízo das Garantias da 3ª Vara Criminal de Londrina. Além das buscas na residência das investigadas, a Justiça autorizou buscas pessoais para apreensão de aparelhos eletrônicos e outros elementos de prova, bem como a coleta de armas, dinheiro em espécie, documentos e bens que possam ter sido adquiridos com recursos provenientes das atividades criminosas.
A operação faz parte das ações voltadas ao enfraquecimento da estrutura de comunicação da organização criminosa e ao combate às estratégias utilizadas para manter a atuação da facção mesmo com seus principais líderes recolhidos em presídios federais de segurança máxima.